O uso medicinal e religioso do cacau originou-se há vários
séculos com populações indígenas que viviam na região da
América Central - os maias e os astecas. De acordo com a
religião destes grupos, o cacau foi uma dádiva dos deuses
(Theobroma = dádiva dos deuses). A fruta, com suas sementes
e polpa, era utilizada basicamente para preparar bebida.
O líquido era reservado para os homens adultos, da alta
hierarquia indígena. O descobridor da América, Cristóvão
Colombo, e seus oficiais notaram que os guardas de Montezuma,
de tempos em tempos, vinham oferecer ao rei a bebida originária
do cacau em cálices de ouro. Perceberam, também, que os
guerreiros indígenas, com o uso da bebida produzida a partir
das sementes do cacau, adquiriam enorme energia física e
sensação de euforia, com a possibilidade de caminhar quilômetros
sem cansaço.
Obviamente Colombo mandou para a Europa as sementes de cacau
e a polpa da fruta. A partir do pó obtido das sementes fermentadas
originou-se o chocolate, sempre servido como bebida estimulante.
Hoje nós sabemos que as sementes de cacau são muito ricas
em flavonoides, os poderosos agentes antioxidantes.
O chocolate é obtido a partir das sementes de cacau A fruta
leva cerca de seis meses para amadurecer. Cada fruta fornece
cerca de 45 sementes, que são deixadas para fermentar por
cinco dias. Após este período, as sementes fermentadas são
deixadas para secar ao sol, adquirindo a coloração marrom
escura característica do chocolate.
A manteiga de cacau é a parte oleosa da fruta e não tem
as excelentes qualidades medicinais do chocolate obtido
a partir das sementes fermentadas. A preparação do chocolate
requer que as sementes já fermentadas e secas sejam processadas
para formar um líquido viscoso, pastoso pela presença de
gordura nas sementes. Por pressão mecânica a gordura é em
parte removida e se obtém o chocolate em pó. Para o chocolate
tal como nós o conhecemos, o fabricante volta a acrescentar
manteiga de cacau e açúcar.
Este chocolate, rico em antioxidante é chamado semiamargo,
escuro, com excelentes qualidades medicinais. Estudos científicos
conduzidos em muitos centros de pesquisa mundiais são unânimes
em afirmar que este chocolate é o que mais apresenta qualidades
antioxidantes. A transformação do cacau em alimento delicioso
Os fabricantes observaram que o chocolate semiamargo não
era tão facilmente agradável ao paladar da maioria.
Ele precisava ser "suavizado" antes de ser vendido. Os holandeses
então descobriram método de processamento que transforma
o chocolate original em uma substância menos dura e amarga.
Adicionaram produtos químicos que tiraram a acidez do chocolate
amargo (processo de alcalinar o chocolate). Depois os suíços,
belgas e ingleses verificaram que o chocolate alcalinizado
poderia ter melhor aceitação ao paladar com a adição de
leite e açúcar. Estava, portanto, descoberta esta deliciosa
guloseima.
Os americanos são os maiores consumidores deste tipo de
chocolate, cerca de 6 quilos por habitante/ano. Acredita-se
que o consumo de chocolate represente pouco mais de 1% da
dieta diária do americano. Infelizmente este delicioso chocolate
nada ou pouco tem a ver com as qualidades medicinais do
chocolate semiamargo. Só este último tem excelente atividade
antioxidante, anti trombótica e protetora do revestimento
de artérias.
O chocolate branco, enganoso e artificial Enquanto o chocolate
semiamargo, escuro, pode ser considerado como um alimento
sadio, o chocolate branco não apresenta nenhuma das qualidades
do chocolate preparado a partir das sementes do cacau. O
chocolate branco é preparado a partir da manteiga de cacau,
não contendo as qualidades medicinais do chocolate obtido
das sementes da fruta.
O tipo branco contém muita gordura, muito açúcar e é altamente
engordativo. Deveria ser chamado de "doce de manteiga de
cacau" e não "chocolate branco". Estudos recentes também
indicam que a adição de leite ou creme de leite ao chocolate
reduz substancialmente suas propriedades antioxidantes.
Isto se aplica, igualmente, aos achocolatados - bebidas
de leite com pó de chocolate, amplamente difundidos no mundo
ocidental.
Mitos e verdades sobre o chocolate Na era pré-colombiana
os astecas achavam que a bebida de chocolate era altamente
afrodisíaca. Ele era consumido em cerimônias de casamento
tanto pelo noivo como pela noiva. Hoje sabemos que o chocolate
não tem propriedades afrodisíacas.
Ele possui muito pouca cafeína (cerca de 10 miligramas por
50g de uma barra de chocolate). Outro mito é que ele cause
enxaqueca e acne. Nada disso ficou provado cientificamente.
É possível que o açúcar possa estimular o aparecimento de
acne em alguns casos. A mulher e o chocolate O chocolate
é uma paixão muito feminina.
Na época pré-menstrual é extremamente comum a mulher dizer
que tem necessidade de comer o alimento, que a faz melhorar
dos sintomas de irritabilidade, depressão e ansiedade da
TPM. O chocolate pode ser um elemento nutritivo causador
de dependência. Muitas pessoas não podem viver sem uma dose
diária.
Cientificamente sabe-se que o chocolate liga-se a receptores
canabinoides nas zonas do cérebro junto ao hipotálamo. Sabe-se
que se a pessoa viciada em chocolate cheirar o pó de chocolate
obtém certo alívio de sua compulsão pelo produto, pois o
pó de chocolate através das narinas atinge os receptores
cerebrais e acalmam a vontade de ingeri-lo.
Por Geraldo Medeiros 08-06-2009