Existe uma confusão natural entre o alimento tipo diet e
os que são denominados de light. Ambos os vocábulos são
emprestados do idioma inglês, mas a tentativa de traduzir
para 'alimento dieta' e 'alimento leve' não pegou.
Todos falam diet e light e a maioria dos consumidores associa
essas denominações como sendo produtos de baixas calorias
e, consequentemente, recomendados para pessoas que desejam
perder peso. Engano! Alguns alimentos diet surpreendentemente
podem ter mais calorias que o produto original.
Para que esta confusão, tão comum e difundida, possa ser
esclarecida é necessário que voltemos às Resoluções da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na qual se reserva
o termo diet para dois tipos de alimentos:
1-Alimentos para dietas de diabéticos, obesos, hipertensos,
com doença renal ou cardíaca crônica (entre outros tipos
de moléstias) nos quais existe restrição de algum nutriente
importante nos produtos alimentícios indicados para a saúde
dos pacientes acima referidos.
Por exemplo: alimento no qual se retirou o açúcar e se adicionou
o adoçante não calórico. Este alimento pode ser receitado
ou recomendado para diabéticos.
Os que têm doença renal crônica irão precisar de alimentos
com baixo teor de proteína e sódio.
Os hipertensos precisam controlar a ingestão de sódio.
2-Ainda dentro dos alimentos diet se colocam os que são
destinados às pessoas com excesso de peso e desejam ter
alimentos com restrição de alguns nutrientes tais como carboidratos
e açúcares. Os alimentos diet restritos em carboidratos
(pães, balas, chocolates) podem ter, no máximo 0,5 grama
de açúcar por 100g de alimento. Os alimentos restritos em
gordura, como o iogurte desnatado, devem ter 0% (zero) de
gordura.
Os restritos em proteínas devem, também, ser isentos deste
nutriente. É importante que fique bem claro que nem todos
os alimentos diet apresentam diminuição significativa de
calorias e, portanto, são uma armadilha nutricional para
quem quer emagrecer.
Um exemplo clássico é o chocolate diet no qual o açúcar
foi substituído por adoçante. Muitas vezes para torná-lo
mais palatável o fabricante adiciona gordura o que o faz
mais calórico do que o chocolate normal. O chocolate diet
é indicado para os diabéticos, mas não há vantagem para
quem quer perder peso.
Os alimentos light têm redução de algum nutriente
A definição de alimento light se refere a produtos comestíveis,
industrializados, nos quais houve retirada mínima de 25%
de algum nutriente ou de calorias comparado com o alimento
normal ou convencional. Em outras palavras: não há retirada
total do nutriente ou redução completa de calorias.
Os alimentos light podem não ser indicados para pessoas
que têm colesterol elevado (a gordura não foi totalmente
afastada). Alguns pacientes que não podem comer determinados
nutrientes como o aminoácido que é a base do adoçante aspartame
(fenil-alanina). Outro esclarecimento a respeito de alimentos
light: podem ter redução de 25% de gordura, ou carboidrato,
mas conservam teor elevado de sódio (o que não será saudável
para hipertensos). Um tipo de bebida light muito difundida
é o refrigerante no qual o açúcar foi totalmente removido
e substituído por adoçante.
Tal bebida é recomendada tanto para obesos(as) como diabéticos.
Outro grande engano das pessoas preocupadas com o peso é
a quantidade do alimento light a ser consumida. Por se tratar
de um alimento light, com nível mais baixo de calorias,
julga-se que a ingestão deste produto dietético é livre.
É uma falha muito grande no caso da pessoa desejar emagrecer,
pois se houver consumo superior ao decréscimo de calorias
indicado no rótulo, obviamente, não haverá nenhuma vantagem
em se deliciar exageradamente com o alimento light.
A confusão entre diet e light é comum
Embora a descrição do que é diet e o que identifica o alimento
light é relativamente clara para médicos e nutricionistas,
os consumidores têm a tendência natural de confundir os
dois nomes e respectiva condição nutricional.
Assim na época da Páscoa, a publicidade dos ovos de chocolate
diet provoca um incrível bem estar no gordinho, pois tira
a sensação de culpa. 'Só comi um pouquinho de ovo de Páscoa
diet que tem poucas calorias e não tem açúcar'. É verdade
que não há açúcar, mas como já vimos a gordura do cacau
persiste no ovo de Páscoa (bem como um pouco mais de gordura
adicionada pelo fabricante).
A indústria alimentícia, fértil em recursos lançou, nesta
Páscoa, o ovo de chocolate preparado com soja, isto é, um
alimento totalmente light, pois a gordura do cacau foi substituída
pela proteína da soja e o açúcar trocado pelo adoçante.
Neste caso há redução de calorias e do carboidrato (açúcar)
podendo ser ingerido pelos que estão sob dieta hipocalórica
para perder peso bem como pelos diabéticos que não podem
ter açúcar em suas dietas.
Não sei se o produto é gostoso, mas é uma boa ideia! Outros
exemplos de alimentos light que são muito compensadores
para quem está em regime hipocalórico. O requeijão de copo
comum tem 28 calorias/colher chá e o tipo light apenas 13
calorias. A maionese comum tem 199 calorias e a light, apenas
50 calorias. O iogurte de morango comum tem 172 calorias
e o tipo diet, apenas 72 calorias.
O consumidor deve ler atentamente as informações nutricionais
nos alimentos que irá adquirir para não ter surpresas em
sua dieta.
Por Geraldo Medeiros 20-04-09