Há mais de vinte anos os cirurgiões ligados a especialidade
de gastro-enterologia tiveram a ideia de reduzir o volume
do estômago com a finalidade de diminuir o peso corporal
de indivíduos com grande excesso ponderal. De uma forma
arbitrária, mas que se tornou uma regra, a chamada cirurgia
bariátrica é indicada somente para obesos com índice de
massa corporal (IMC) superior a 40 ( IMC = o peso do paciente
em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado). Sabe-se
que os obesos com mais de 40 kg/m² têm perspectivas de várias
doenças concomitantes em futuro próximo.
Por exemplo, estes obesos terão (ou já têm) pressão alta,
que necessita medicação constante, problemas de diabetes
tipo 2, insulina muito elevada na circulação (levando a
quadro de resistência à ação da insulina), muita gordura
no fígado (esteatose hepática), tendência à insuficiência
das artérias do coração (doença coronariana), depósito de
colesterol nas artérias em geral e em artérias do sistema
nervoso central, em particular, com alto risco para acidente
vascular cerebral. Além de todos estes problemas de saúde
o obeso mórbido tem dificuldade de locomoção por artrose
nos joelhos e dores na coluna lombar, o que o faz ser muito
sedentário (e cada vez mais gordo).
Os tratamentos clínicos nem sempre dão resultados
O obeso sempre procura, por vontade própria, o auxílio médico
para resolver o seu enorme problema. Mas, infelizmente,
quando a obesidade chega a nível superior a 40, parece que
o "fomestato" - ou o mecanismo que controla fome e saciedade,
está "quebrado'.
Apesar de tentar seguir o regime, de se privar do que gosta,
de ver passar à sua frente os doces, sorvetes, chocolates,
pizzas e macarronadas, churrascos com os amigos, festas
de aniversário, comemorações de formatura, banquetes de
casamento, etc., o obeso, mesmo medicado, tem perda de peso
inicial (muito elogiada por todos), mas logo volta a ganhar
peso. E o que é pior: ganha peso em valor superior do precedente
do início da dieta.
Após 4 ou 5 tentativas de corrigir o grande excesso de peso
vem o desânimo "eu não tenho jeito mesmo!". Muitas vezes
o fator genético é importante e atua no sentido de acumular
gordura, em grau crescente.
Várias são as modalidades de cirurgia bariátrica
Diante deste quadro, o obeso passa a pensar na "operação
de redução do estômago". Informa-se com seu clínico geral,
conversa com pacientes que já foram operados, ouve a opinião
da família e procura o cirurgião que lhe foi indicado. Nesta
consulta fica sabendo que existem várias modalidades de
operação.
A mais simples é colocar um balão no estômago, mas as reações
colaterais, os insucessos, a azia permanente logo afastam
esta modalidade. Pode-se apenas reduzir o estômago (de 150
ml para 20-30 ml) por cirurgia laparoscópica. As cirurgias
mais eficientes, quanto à perda de peso, são as que reduzem
o estômago e, ao mesmo tempo encurtam o intestino, levando
uma alça intestinal à pequena cavidade gástrica.
É a cirurgia chamada Capella. Neste tipo de ato cirúrgico,
além do obeso comer muito menos (a cavidade gástrica é muito
pequena), parte do alimento ingerido não é absorvido, pois
com intestino menor, os nutrientes são excretados apenas
parcialmente digeridos. Com este tipo de cirurgia pode-se
deixar de absorver elementos importantes como Ferro, Magnésio,
Cálcio, Vitamina B12, Ácido Fólico entre outros. Mas o problema
maior é que a cirurgia bariátrica leva a estado de deficiência
calórica, isto é, o que se come é muito menos do que se
gasta. Segue-se perda expressiva de peso. Mas o corpo queima
tanto a gordura acumulada como o tecido nobre - protéina
(o que é totalmente indesejável).
O tratamento com hormônio de crescimento
O hormônio de crescimento (GH) possui qualidades que podem
ser utilizadas em obesos, em fase de perda ponderal. Primeiro
porque o obeso grau III, frequentemente, apresenta menor
secreção deste importante hormônio. Segundo porque o GH
é hormônio de efeitos anabólicos conserva a massa muscular
e promove a "queima de gordura". Um grupo de pesquisadores
decidiu estudar o efeito benéfico do GH após cirurgia bariátrica
em 24 mulheres obesas. Após a cirurgia metade das pacientes
(grupo A) recebeu 0,5 mg de GH em dias alternados, enquanto
o restante (12 mulheres, grupo B) recebeu placedo.
Notou-se que os que estavam sob ação de hormônio de crescimento
apresentavam maior perda de gordura e menor perda de massa
proteica (massa magra). Ambos os grupos A e B perderam o
mesmo peso em 3 e 6 meses.
Ao fim deste período o grupo A, tratado com GH, apresentava
maior massa muscular e menor grau de tecido adiposo graças
às qualidades anabólicas e lipolíticas do GH. Esta modalidade
de terapêutica com GH apenas está se iniciando, mas oferece
perspectivas excelentes para o obeso que se propõe a fazer
cirurgia bariátrica, levando a melhores condições de composição
corporal, qualidade de vida e capacidade energética.
Por Geraldo Medeiros 30-03-09