É verdade que o verão e algumas de suas principais características
- praia, calor, sol, caminhadas pela areia, banhos de mar
- revigoram as energias para as tarefas estressantes do
ano todo. Mas a estação também pode nos trazer alguns dissabores.
Os alimentos que vêm do mar têm de ser frescos e bem armazenados
em temperaturas baixas (muito gelo). Desta forma, os peixes,
os crustáceos, os frutos do mar são conservados por algum
tempo (mas não infinitamente) em condições sanitárias ideais.
Um dos maiores problemas durante o verão é a contaminação
bacteriana dos produtos do mar.
Seja pela longa exposição ao sol, ao ar exterior, com possibilidade
de moscas voando por perto, ou por contaminação na cozinha
(algum ajudante do cozinheiro não lavou bem as mãos), as
bactérias logo se instalam no alimento e se proliferam.
Sem dúvida os mais perigosos são os camarões e as lagostas.
É preciso saber que estes crustáceos contaminam-se e deterioram-se
em questão de horas após o cozimento e, potencialmente,
são como "bombas" de efeito retardado. As bactérias se acumulam,
produzem toxinas, que irão induzir a famosa gastroenterocolite
(vômitos, cólicas, diarreia). É um dos problemas mais comuns
de saúde no verão.
As toxinas produzidas por bactérias levam a gastrite (inflamação
do estômago), provocam vômito e induzem diarreia e desidratação.
Dependendo da gravidade do caso, o paciente precisa ir ao
hospital para hidratar-se e ser medicado com atropina e
antibióticos.
Quanto à cozinha japonesa, todo cuidado é pouco e, talvez,
este tipo de culinária deva ser reservado para outras ocasiões.
A água que bebemos nem sempre é potável
Todos os dias os jornais, durante o período do verão, divulgam
as praias "impróprias" para o banho de mar, pois o nível
de bacilos coliformes (proveniente de esgoto lançado ao
mar) está elevado.
É claro que o desavisado banhista pode ingerir água do mar
contaminada. Por outro lado a água dita potável, vinda da
torneira, apesar de todo o esforço da Sabesp pode ser fonte
de bactérias indesejáveis.
O melhor conselho é tomar a água de coco, refrigerante light
ou zero, e muita água engarrafada. Este conselho vale, principalmente,
para crianças.
Cachorros na praia são fontes de doenças
Muitas das praias do nosso litoral paulista proíbem a presença
de cachorros.
Ainda assim, com frequência, observamos os animais na areia
e na água. As fezes dos cães pode provocar doenças de pele
como o bicho geográfico. As larvas ficam no subcutâneo e
migram, causando enorme desconforto, coceira e mal estar.
Um incômodo que pode ser evitado.
As águas vivas podem causar queimaduras
Em muitas praias do Sudeste, o aumento da temperatura da
água do mar pode trazer as águas vivas, que em contacto
com o banhista se sente agredida e lança um líquido abrasivo,
provocando lesão cutânea muito dolorosa, como se fosse uma
queimadura.
A lesão quase sempre é na região do peito ou das costas,
maiores áreas expostas. O difícil é ver a água viva, pois
ela é totalmente translúcida, com uma cor leitosa e fica
na superfície da água, em grupos enormes. No caso de ser
atingido por água viva, você deve sair da água, cobrir a
área afetada com a toalha e procurar um posto de saúde ou
hospital para receber antialérgico.
Eventualmente injeção de corticoide, aplicação local de
cremes protetores e esperar os bons resultados do tratamento.
Trate de aproveitar suas férias, curta o seu verão, aproveite
a praia e o mar, mas cuide-se para não cair nas armadilhas
para a saúde que foram mencionadas.
Por Geraldo Medeiros 02-03-09