A procura por vegetais capazes de aliviar os sofrimentos
dos doentes começou provavelmente com os homens primitivos,
nos primeiros agrupamentos humanos. Era preciso, por exemplo
aliviar a dor (com opiáceos da papoula), resolver problemas
estomacais (com atropina), curar as vias urinárias (com
chá de quebra-pedra), aumentar a eficiência do coração.
A China, com civilização marcada por inúmeras inovações,
é considerada o berço do herbalismo, a medicina terapêutica
praticada com o uso de ervas. Através do método do acerto
e erro, os médicos chineses chegaram a conclusões terapêuticas
extraordinárias. Um exemplo: por ser um país montanhoso,
na China é comum o problema de carência crônica de iodo.
A falta de iodo faz a tireóide crescer e se tornar visível
no pescoço. A tireóide aumentada é chamada de bócio.
Os chineses empregavam esponjas marítimas secas ao sol e
reduzidas a pó como tratamento altamente eficaz conto o
bócio, com amplo sucesso. Hoje sabemos que as algas e esponjas
do mar têm iodo em alta concentração e, são particularmente
eficientes para a cura do bócio.
A medicina herbal chegou ao ocidente desde a época de Hipocrates,
que recomendava um pequeno grupo de ervas medicinais ao
lado de dietas para cada caso. Mais tarde, em Roma, Galeno
usava, como os chineses, misturas herbais de várias fontes
vegetais. Já no fim do século XIX muitos produtos farmacêuticos
tinham sua base em plantas medicinais como os opiáceos,
a efedrina, a atropina, a quinina, os digitálicos, para
o coração.
Atualmente, uma grande maioria dos habitantes do planeta
não pode comprar remédio de farmácia e recorre às ervas
medicinais. Demonstrando a crescente procura pela medicina
natural, o número de artigos científicos publicados sobre
as ervas pulou de 2.500 em 2000 para 14.000 em 2007.
As ervas de uso mais comum
O aparelho digestivo sempre foi o "campeão" do uso de medicina
herbal. A prisão de ventre é tratada com várias ervas como
o Sene e as fibras como o Psillium. Contra dor de barriga
é possível usar o extrato de Atropa Belladona (atropina).
Contra dor de estômago é usado o chá de carquejo, e por
aí vai. Extrato de alcachofra e boldo Algumas substâncias
podem oferecer estímulo para elevar o fluxo da bile pelos
canais hepáticos, que formam uma malha de dutos que culminam
na vesícula biliar.
Esta, por sua vez, contrai-se à passagem do alimento pelo
tubo digestivo (principalmente gordura, como azeite, gema
de ovo, gordura animal), "jogando" a bile no tubo digestivo.
A ação de alcachofra e boldo pode ser de duas formas: os
coleréticos são agentes que promovem a secreção da bile
pelas células hepáticas, e os colagogos são as plantas medicinais
ou remédios preparados para estimular o fluxo da bile que
já estava formada e a caminho do tubo digestivo.
A maioria dos fitoterápicos são coleréticos e colagogos
ao mesmo tempo, ou seja, estimulam a formação de bile e
induzem a secreção biliar no tubo digestivo. A alcachofra
é um dos vegetais cultivados pelo homem desde épocas remotas.
O extrato de alcachofra vem das folhas secas contendo flavonóides
(antioxidantes). Estudos clínicos demonstraram que o extrato
da alcachofra leva a nítido aumento da secreção de bile
no duodeno (efeito colagogo), mas também nota-se aumento
da bile formada no fígado (efeito colerético). Não deve
ser empregado quando o paciente tem pedras na vesícula.
O boldo é uma árvore pequena originária do Chile.
O extrato das folhas produz a Boldina (secalóides e flavonóides).
A boldina induz maior formação de bile (efeito colerético).
Em animais de laboratório a boldina inibe o depósito de
gordura no fígado, fenômeno usualmente observado em obesos.
Associado à alcachofra, é considerado um excelente agente
no tratamento de alterações funcionais do fígado (como a
esteatose hepática, gordura no fígado).
Ginseng contra stress e fadiga
O uso de Ginseng é extremamente comum na China e na Coreia,
bem como em outras regiões da Ásia. Atribui-se ao Ginseng
as qualidades de aumentar a energia física e mental, aliviar
o stress, melhorar a concentração e o poder cognitivo (para
aprender novos fatos e dados). Entre os orientais o Ginseng
é conhecido com um agente tônico, que restabelece o equilíbrio
hormonal, aumenta a resistência orgânica e evita doenças.
Tantas qualidades são devidas a produtos químicos chamados
de ginsenosídeos, que interferem com o metabolismo celular.
Vários trabalhos em voluntários humanos demonstraram ações
positivas do Ginseng ,com nítida elevação do consumo de
oxigênio, melhor performance cardíaca, com incremento da
capacidade de concentração e memória. Tais efeitos levam
o idoso a ter melhor qualidade de vida, além de estimular
o sistema imunitário (defesa contra bactérias, vírus, fungos).
Outros estudos mostraram ação positiva no controle do diabetes
tipo 2.
Os efeitos colaterais são mínimos e irrelevantes nas doses
usuais. O Ginseng é preparado a partir de suas raízes, trituradas
e secas. Pode-se usar o pó das raízes ou o extrato do ginsenosideo
a 4% (geralmente 100 mg duas vezes ao dia). Ginkgo Biloba,
o mais antigo Essa árvore sobreviveu à Era Glacial somente
na Ásia, tendo sido importada pelos europeus no século XVIII,
como uma árvore ornamental. O extrato medicamentoso é preparado
a partir das folhas secas e trituradas.
Tornou-se, inicialmente, muito popular na Alemanha, quando
um grupo de cientistas germânicos descobriu que o extrato
de Ginkgo Biloba era extremamente ativo no aumento da circulação
cerebral, aumentando o fluxo de oxigênio aos neurônios e,
conseqüentemente, melhora de memória e da capacidade cognitiva.
Observaram também melhoras nas alterações vasculares periféricas
(varizes, má circulação). Entre os bons resultados obtidos
são referidos a cura das vertigens, tonturas, tensão pré-menstrual
e alergias. O efeito farmacológico é devido a cerca de 40
componentes identificados sendo o mais importante os grupos
de flavonóides e terpenóides.
Em animais experimentais o Ginkgo Biloba induz nítida vasodilatação
cerebral além de efeito antioxidante. Vários estudos clínicos
mostram a eficácia do Ginkgo Biloba em situações de alterações
da circulação cerebral (após um acidente vascular cerebral).
Melhora da memória é um dos aspectos mais estudados deste
medicamento herbal. O Ginkgo Biloba é particularmente indicado
na população geriátrica com declínio de memória e do poder
cognitivo.
A dose usual é de 120 a 240 mg por dia, em dois doses diárias.
O produto farmacêutico à venda geralmente é o extrato de
folhas que contém cerca de 27% dos flavonoides. Efeitos
colaterais são mínimos.
O uso do maracujá e sua flor
A flor do maracujá é muito rica em passiflorina, usada há
muitos anos como agente sedativo, indutor do sono e com
ampla atividade no alívio de ansiedade. Na Europa várias
farmácias herbais fornecem a passiflorina junto com outros
agentes herbais, como um tônico capaz de aliviar as situações
de tensão, angústia, ansiedade e insônia.
O extrato das flores contém um flavonóide chamado vitexina,
que, injetado em ratos, leva ao sono profundo. Em seres
humanos os estudos foram conduzidos com a combinação de
passifora e valeriana, com excelentes resultados no alívio
de situações angustiantes, de nervosismo intenso e de insônia
persistente.
Doses muito elevadas podem provocar períodos de inconsciência
prolongados, mas isso ocorre muito raramente. De uma forma
geral a Passiflorina é amplamente utilizada com ansiolítico
brando, bem tolerado, sem problemas de dependência física
ou psíquica, e muito útil em situações de elevado estresse,
ansiedade e emotividades exageradas.
Por Geraldo Medeiros 02-02-09