A elevação da pressão arterial acima de níveis normais é
o fator de risco mais importante para as doenças cardio-vasculares,
como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e
doença renal crônica. Os levantamentos populacionais, realizados
no Brasil indicaram fatos curiosos.
Pressão arterial acima de 140 X 90 mmHg encontrava-se presente,
na população examinada, entre 22,3% (São Paulo) a 43,9%
(em Araraquara).
Os gaúchos de Porto Alegre apresentavam hipertensão em 26%
dos examinados, enquanto que outra cidade do interior de
São Paulo, Cotia, os hipertensos constituíam 44% da população.
Não existe uma explicação clara e definitiva sobre esta
variação, até porque a pesquisa não inclui avaliação de
aspectos como sexo, etnia, fatores sócio econômicos, obesidade
e sedentarismo.
Mas a mensagem principal deste tipo de levantamento é importante:
no mínimo cerca de um terço da população adulta está com
pressão elevada e não tem noção desta perigosa anomalia.
Por outro lado, cerca de metade dos pacientes que já se
sabem hipertensos não mostram aderência ao tratamento instituído
e sequer seguem as instruções do médico para mudar o estilo
de vida.
Ainda neste quadro desalentador observou-se que apenas 10%
dos hipertensos, cuidadosos no uso da terapêutica recomendada,
exibiam níveis normais de pressão arterial.
Medida da pressão arterial
O método mais utilizado para a medida da pressão arterial
é o chamado indireto, no qual o aparelho portátil (aneróide)
é colocado no braço e o estetoscópio na localização da artéria
braquial. Os aparelhos de parede contendo a coluna de mercúrio
são os mais precisos e, portanto, menos susceptíveis a estarem
descalibrados.
Os aparelhos eletrônicos de leitura fácil e manejo simplificado
(não necessitam de estetoscópio) evitam erros relacionados
ao observador e são muito úteis no uso doméstico para controle
da pressão arterial. A posição recomendada para medir a
pressão arterial é a sentada. Alguns profissionais medem
P.A. em ambos os braços.
Em alguns pacientes é importante mensurar a P.A. na posição
ortostática (de pé) e, a seguir deitada para verificar a
queda de pressão com a mudança de posição (queda de P.A.
quando se levanta bruscamente).
Mais raramente, em casos de Pressão Arterial elevada se
recomenda a Mensuração Ambulatorial de Pressão Arterial
(M.A.P.A.) na qual o paciente fica com o aparelho ligado
ao antibraço por 24 horas tanto na vigília como durante
o soro.
Crianças e idosos podem ter valores P.A. diferentes dos
adultos jovens. Tabelas especiais indicam os valores normais.
A obesidade e a Pressão Arterial
A impressão dos leigos é que todo obeso deve ter P.A. elevada
e ser, e forma automática, um candidato aos transtornos
cardiovasculares. Nem sempre isso é verdade, pois muitos
obesos mórbidos apresentam P.A. dentro de valores normais.
A obesidade, por si mesma, é fator de risco para a hipertensão.
Os obesos, tipo Andróide com proeminente volume abdominal,
cintura acima de 100cm, pernas relativamente pouco volumosas,
perfazendo o tipo de chamado de "maça" são os que terão
P.A. elevada. Além disso, este tipo de obesidade andróide
possui outras alterações conhecidas:
• Presença de gordura no fígado (esteatose)
• Níveis de insulina plasmática elevada • Excesso de colesterol
e derivados
• Tendência a diabetes tipo 2
Todos estes fenômenos associados são chamados de Síndrome
Metabólica e a boa notícia é que a queda do peso corporal
leva a normalização rápida da P.A. bem como de outros fenômenos
patológicos.
A explicação de pressão alta em obeso andróide
Os cientistas estudaram as artérias pequenas e médias dos
obesos andróides com insulina elevada e que tinham pressão
alta. Notaram que a camada muscular das artérias estava
muito aumentada em comparação com artérias de indivíduos
normais.
O aumento do músculo arterial irá, forçosamente, diminuir
o diâmetro do "tubo arterial" ou, em outras palavras a "luz"
do vaso. Como as artérias ficam mais estreitas (o músculo
arterial cresce) a pressão dentro dos vasos aumenta.
Este fato hidrodinâmico é muito conhecido em Física. A boa
notícia é que apenas com 10% de perda ponderal, decréscimo
da insulina plasmática e melhora da gordura depositada no
fígado, progressivamente o músculo arterial pode voltar
a ser de tamanho normal e a hipertensão irá ser controlada
com mais facilidade e com menos remédios.
Portanto, hipertensão em obesos exige perda de peso, mudança
de hábitos de vida, realização de um programa de atividade
física e dedicação à prescrição médica. voltar