Um estudo conduzido nos Estados Unidos indica que a média
de horas de sono tem decrescido em paralelo com a curva
ascendente de obesidade e diabetes. A pesquisa aponta que
o americano médio dormia cerca de 8 a 9 horas por noite
em 1960 e que este excelente período de repouso noturno
decresceu para cerca de 7 horas em 1995. Hoje observa-se
que 30% dos adultos (entre 30 e 64 anos) estão com menos
de 6 horas de sono por noite, o que tem sido considerado
por fisiologistas como totalmente insuficiente para repouso
noturno. Médicos que estudaram a relação entre privação
de sono e mecanismos metabólicos concluíram que:
-A falta de sono leva a maior resistência à ação de insulina
(possível futuro com diabetes).
-A falta de sono induz as células do pâncreas (células beta)
a deixarem de produzir mais insulina, quando o corpo já
apresenta resistência à insulina.
-A falta de sono faz com que as células adiposas reduzam
a produção do hormônio leptina, que é um poderoso indutor
central de menor ingestão de alimento.
Estes três aspectos metabólicos são, em seu conjunto, indutores
de obesidade.
Vamos esclarecer, de uma forma menos técnica, porque a falta
de sono conduz à obesidade. Dormir pouco aumenta a insulina
na circulação. Este hormônio responsável pela entrada do
açúcar (glicose) no músculo tem ações na célula adiposa.
Ele aumenta a geração de gordura a partir do que comemos
e impede a queima de gordura quando gastamos energia. As
duas ações combinadas levam à obesidade.
Aspectos práticos da pesquisa sobre sono
Como há muito "gasto" de insulina com a privação do
sono é evidente que, um dia, o pâncreas cansa e deixa de
fabricar insulina de forma adequada, havendo a possibilidade
de surgir o diabetes.
Este risco de diabetes aumenta consideravelmente se o obeso
é do tipo comedor noturno.
Este tipo obeso é comum no dia-a-dia do endocrinologista
e as recentes pesquisas sobre a falta de sono só acrescentam
argumentos convincentes de que o obeso deve ter horas de
sono adequadas, e desde que necessário sob intervenção medicamentosa.
A equipe de cientistas que estudou o assunto está, agora,
ampliando a pesquisa para verificar se o aumento de horas
de sono poderá diminuir a curva ascendente de obesos em
determinados grupos.
É uma pesquisa interessante e importante tanto em nível
individual como populacional.
Por enquanto você deve se prevenir: durma mais, coma menos
e mantenha o peso adequado.