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Experiências com ratos nem sempre são aplicáveis a humanos.
Um artigo científico publicado recentemente na revista Behavioural
Neuroscience por dois pesquisadores da Universidade de Purdue,
Indiana, EUA, levou a grandes discussões – e confusões -,
muitas delas reproduzidas na imprensa. No trabalho científico,
os pesquisadores americanos testaram dois grupos de ratos
durante cinco semanas.
Ao primeiro grupo de animais, os cientistas ofereceram iogurte
adoçado com açúcar comum (sacarose). Ao segundo grupo, eles
deram iogurte adoçado com sacarina. O objetivo era avaliar
a quantidade de ingestão dos alimentos com açúcar em comparação
à quantidade dos alimentos com sacarina.
Durante o decorrer das cinco semanas os biólogos notaram
que os ratos ingeriam mais iogurte com sacarina do que os
outros que tinham acesso ao iogurte açucarado. Enorme surpresa,
pois todo mundo sabe que a sacarina, adoçante descoberto
no final do século 19, tem sabor adocicado, mas deixa no
paladar uma sensação de amargo. Para nós, seres humanos,
o uso exclusivo de sacarina foi substituído por outros adoçantes
que não têm este gosto amargo no final.
Além da surpresa de verificar que os ratos comiam mais o
iogurte com sacarina, os pesquisadores verificaram ainda
que os animais comedores de sacarina estavam ganhando peso.
Neste ponto da pesquisa poderíamos pensar: será que rato
gosta mais do sabor amargo da sacarina do que o doce do
açúcar? É algo a ser considerado.
A questão da energia potencial do alimento
Mas os pesquisadores não pararam neste ponto. Passaram
a medir dados bioquímicos relativos ao acúmulo de energia
alimentar nos dois grupos de animais. Obviamente os roedores
que se alimentavam de iogurte com açúcar receberam mais
energia calórica (pela sacarose) do que os ratos que consumiam
sacarina (que não tem valor calórico nenhum).
Os cientistas afirmaram que os ratos usaram o seu "computador
central". As áreas cerebrais que controlam o metabolismo
energético (tanto entrada de energia como gasto energético)
ao verificarem que o iogurte com açúcar era mais calórico
enviavam ordem para que os roedores ingerissem menor quantidade
do iogurte, pois o açúcar consumido já bastava para o gasto
energético daquele dia.
Ao contrário, quando as áreas cerebrais detectavam que a
ingestão de iogurte com a sacarina não cobria a necessidade
calórica, induziam os ratos a comerem mais e mais iogurte.
Ao fim de cinco semanas, os roedores da sacarina haviam
ganho peso.
Uma grande crítica ao trabalho foi apresentada neste ponto:
os autores do trabalho deveriam ter acrescentado ao desenho
da pesquisa um terceiro grupo de animais ao qual seria oferecido
apenas iogurte natural (sem açúcar e sem sacarina).
Este grupo seria um controle adequado para testar as conclusões
da pesquisa.
A validade das conclusões para humanos
Embora as conclusões dos pesquisadores sejam adequadas e
mesmo atraentes para o comportamento dos roedores, é preciso
cautela.
A explicação do ganho de peso para os ratos que ingeriram
sacarina é ainda pouco convincente.
Suponhamos, por hipótese, que o rato tenha um paladar que
aceita melhor o amargo da sacarina do que o doce do açúcar.
A explicação para o ganho de peso seria apenas uma questão
de melhor aceitação da sacarina com maior ingestão pelo
animal.
Mais uma vez repetimos: o ser humano é bem mais complexo
que o rato e simples experiências de refeições A ou B podem
não ser totalmente aplicáveis a nós.
Os adoçantes engordam ou não engordam?
Esta conclusão que, apressadamente, alguns setores da
mídia tentaram tirar deste artigo científico é totalmente
errônea.
O uso de adoçantes para substituir o açúcar visa não só
baixar o total calórico ingerido, mas também evitar que
o pâncreas produza mais insulina, hormônio vinculado à maior
formação de gordura a partir das refeições que fazemos.
Portanto, para muitos obesos ou para pessoas com tendência
a diabetes o açúcar e alimentos que o contém são contra-indicados.
Na opinião de muitos endocrinologistas o uso de adoçantes
é um precioso auxílio nutricional para corrigir a crescente
prevalência de obesidade no mundo atual.