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O número
de pessoas com mais de 60 anos é maior a cada censo populacional
realizado no Brasil. Em 1950 os idosos eram apenas 4 milhões.
Em 2007, já ultrapassam os 15 milhões de brasileiros. A
previsão é de que em mais 10 anos teremos cerca de 20 milhões
de indivíduos saudáveis na terceira idade. Todos sabemos
que não basta atingir uma idade avançada rodeado por netos
e bisnetos, é preciso ter qualidade de vida: boa saúde,
capacidade cognitiva, memória adequada, articulações que
permitam a prática de exercícios condizentes, afetividade,
amor, amizade intactas, coração excelente e ausência de
sintomas neurológicos. Parece fácil descrever o idoso ideal,
mas não disso é possível se os hormônios não estiverem precisamente
regulados. Com o avançar da idade, o sistema hormonal já
não funciona como antes. A comunidade médica tem atestado,
com freqüência cada vez maior, os resultados de reposições
hormonais que proporcionam uma dose de "rejuvenescimento",
uma certa alegria de viver, disposição, energia e humor.
Ainda de acordo com a pesquisa de Reinaud, os franceses,
italianos, portugueses e espanhóis (todos tradicionais bebedores
de vinho tinto, assim como os franceses) apresentavam índice
de mortalidade por infarto de miocárdio quatro vezes menor
que os anglo-saxões, calculando-se o número de eventos cardíacos
por grupo de 100.000 habitantes de cada país. O trabalho
causou um certo espanto na União Européia, pois os alemães
e austríacos, que sempre preferiram o vinho branco, não
pareciam se beneficiar das excelentes qualidades medicinais
e protetoras do vinho tinto do grupo do Mediterrâneo. A
chave do segredo, portanto, estava no consumo do vinho tinto
de forma regular durante as refeições.
A desigualdade entre mulheres e homens
O organismo produz o estradiol e a progesterona (na mulher)
e a testosterona (no homem) desde o período pré-puberal,
elevando esta produção a níveis muito altos na puberdade
e por boa parte da vida adulta. Há uma diferença: enquanto
o homem mantém a sua secreção de testosterona por décadas
seguidas, as mulheres diminuem os níveis dos hormônios femininos
depois da menopausa. Não existe consenso entre os médicos
nesta questão de reposição hormonal na mulher. Estudos populacionais
com milhares de pessoas envolvidas apontam para discreta
possibilidade de maior número de casos de câncer, maior
prevalência de algumas alterações cardíacas entre as que
fazem uso da reposição hormonal. O imenso benefício que
o tratamento traz à vida da mulher ultrapassa, a meu ver,
as estatísticas dos estudos populacionais.
O frescor da pele, os cabelos e unhas saudáveis, a manutenção
do colágeno que sustenta a pele, a libido conservada, o
melhor desempenho sexual, a ausência de depressão e maior
alegria de viver são algumas vantagens a ser consideradas.
Ossos mais fortes, maior quantidade de cálcio no esqueleto,
baixo risco de fraturas da articulação coxo femural, sistema
muscular, circulatório e cognitivo intactos são vantagens
inegáveis para as que tomam o seu hormônio diariamente seja
por via oral, transdermica, implantes, ou sob forma de gel
cutâneo. Recentemente a Associação Norte Americana de Endocrinologistas
Clínicos deliberou que a mulher deve ter o direito de escolher
se deseja receber reposição hormonal e reiterou que o risco
de fenômenos adversos é mínimo. E o melhor: a maioria dos
medicamentos hormonais à disposição do médico não engorda.
A andropausa nos homens
O mesmo raciocínio se aplica aos homens. Existe, sem dúvida,
um declínio discreto mas constante no teor de testosterona
com o avançar da idade. Essa queda do hormônio masculino
pode levar a uma série de sintomas: fadiga crônica, perda
de massa muscular, queda de libido, disfunção eréctil e
mesmo osteoporose, ou seja, perda de cálcio do sistema esquelético.
Hoje o médico tem à sua disposição um verdadeiro arsenal
terapêutico para várias modalidades de reposição hormonal
no homem: gel cutâneo, colocar adesivo com testosterona
e injeções de testosterona. É necessário, todavia, ter total
e completo exame da próstata, pois o hormônio poderá, eventualmente,
afetar o crescimento deste órgão masculino.
Em países nos quais a população toma vinho tinto regularmente
existe menor mortalidade por doenças cardíacas causadas
pelo entupimento de artérias. Um estudo realizado em 13.000
pessoas adultas mostrou que outras bebidas alcoólicas não
possuem esta propriedade, ou seja, somente o vinho tinto,
em doses moderadas (cerca de 2 copos por refeição principal)
mostra efeito benéfico na redução do infarto de miocárdio
e acidentes vasculares cerebrais. Outros cinco estudos populacionais,
em diferentes países (Estados Unidos e União Européia) confirmam
este fenômeno. Para finalizar um estudo publicado na revista
Circulation revela que a dieta do Mediterrâneo (peixe, frutas,
vegetais, grãos e vinho tinto), comparativamente à tradicional
dieta norte-americana (hambúrgueres, batatas fritas, salgadinhos
e pizza), reduz em 70% o risco de doenças coronarianas em
período de observação de 4 a 5 anos.
A falta de cálcio no sistema esquelético
Podemos examinar o conteúdo de cálcio nos ossos por um procedimento
não invasivo que se chama densitometria óssea. Existem aparelhos
simples, de uso em consultório, que mede o conteúdo de cálcio
nos ossos. Quando há discreta diminuição de cálcio chamamos
de osteopenia. Quando a concentração de cálcio é bastante
baixa nos ossos, o diagnóstico é de osteoporose. Em ambos
os casos recomenda-se ao idoso o uso de comprimidos de cálcio
a que se associa compostos bifosfonados. Fósforo e cálcio
formam osso novo. No caso do paciente poder tomar hormônio
feminino ou masculino a recuperação do esqueleto é bastante
rápida, prevenindo eventual ocorrência de fraturas no futuro.