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O problema
de pessoas com diabetes na população era considerado de
menor importância até meados do século XX. Mas desde 1990
houve um explosivo aumento do número de indivíduos com diabetes,
levando a comunidade médica a aceitar que a doença seja
provavelmente uma das maiores ameaças à saúde mundial do
século XXI. As causas apontadas para esta situação são vida
urbana extremamente sedentária, excesso de alimentos altamente
calóricos, desenvolvimento progressivo de obesidade, influências
genéticas e, possivelmente, algumas alterações nutricionais
durante a vida fetal e logo após o nascimento. Em resumo,
muita comida associada a nenhuma atividade física irá resultar
em obesidade, que poderá ser a porta de entrada para o desequilíbrio
do metabolismo do açúcar do sangue, levando ao diabetes.
O fenômeno genético e a causa ambiental
Os cientistas e epidemiologistas que estudam a epidemia
de diabetes apontam para dois tipos de teorias para este
fenômeno:
1 - O homem é basicamente programado pelos seus genes a
ser um poupador de energia, isto é, forma mais gordura do
que gasta, porque, em épocas pré-históricas, o homem era
essencialmente um caçador. Às vezes tinha muita comida e
todos participavam de banquetes, quando a caça fosse bem-sucedida.
Muita comida se alternava com períodos de fome. Para que
houvesse possibilidade de sobrevivência, genes de nossos
ancestrais foram adaptados para “poupar” energia durante
a abundância de alimentos, levando a estoque de gordura
para períodos de pouca nutrição. Esta adaptação foi essencial
para a sobrevivência da humanidade, mas, agora, muito alimento
é uma perigosa armadilha que leva à obesidade, e mais tarde
ao diabetes.
2 - Outra teoria para o ganho excessivo de peso é baseada
na observação de que crianças com baixo peso de nascimento
teriam mais risco de serem obesas e terem diabetes. A razão
é que a falta de nutrição adequada no período intra-uterino
levaria à exacerbação de genes e dispositivos corticais
que conduzem o indivíduo a “poupar” energia, isto é, formar
mais facilmente gordura.
O que nos mostra o futuro
O número total de pessoas com diabetes era de 110 milhões
em 2000 e irá saltar para 210 milhões em 2010, com estimativa
de 300 milhões em 2025. No mapa abaixo, os grupos com três
números representam a quantidade de pessoas com diabetes
(na primeira linha), a estimativa para 2010 (na segunda
linha), e o aumento porcentual dos casos de diabetes em
cada região.
As elevações porcentuais são alarmantes principalmente nos
países em desenvolvimento. Na China haverá aumento de 57%
de diabéticos na população. Nos países da África a estimativa
é de cerca de 50%, e na América Latina serão 44% a mais
de diabéticos. O aumento será de 46% no mundo inteiro. Cerca
de 90% dos casos serão do diabetes tipo 2, aquele em que
o corpo apresenta resistência em aceitar que a insulina
abaixe o açúcar do sangue (resistência à ação de insulina)
ou, alternativamente, o pâncreas venha a produzir pouca
insulina (exaustão das células beta do pâncreas). Este tipo
de diabetes geralmente não precisa receber injeções de insulina,
sendo controlável pela perda de peso (em obesos) associada
a remédios por via oral, os quais diminuem a resistência
à insulina e aumentam a secreção deste hormônio pelo pâncreas.
obesidade infantil está aumentando dramaticamente e
o diabetes tipo 2 tem sido encontrado principalmente na
população infanto-juvenil com excesso de peso.
O que podemos fazer para melhorar este cenário alarmante
A rápida escalada do diabetes na população pode ser interrompida
por mudanças radicais no estilo de vida. Adultos devem perder
peso, deixar de comer fast-food, aceitar o fato de que doces,
sorvetes, chocolates, bolos e biscoitos (entre tantos outros
produtos industrializados) devam ser ingeridos em pouca
quantidade e espaçadamente, e se convencer que uma atividade
diária de exercício é essencial. São importantes a caminhada
matinal, sair freqüentemente da mesa do computador, subir
e descer um lance de escada três a quatro vezes, usar transporte
público e nos fins de semana fazer esportes com a família.
Houve grande sucesso neste programa de mudança de costumes
na China e na Finlândia com mudança do estilo de vida –
em dez anos, diminuição de 58% de diabetes.
Na Filadélfia (EUA), o prefeito local determinou que balanças
fossem colocadas nas vias públicas e que médicos, nutricionistas,
preparadores físicos, e outros profissionais, após pesar
o indivíduo, insistissem para que mudassem seu estilo de
vida. Mas a verdade é que estes estudos e tentativas têm
curta duração e somente surtem efeito quando “a casa cai”,
isto é, quando surge o diabetes, quando ocorre o infarto
do miocárdio, quando há acidente vascular cerebral. A prevenção
mais bem-sucedida é junto à população infanto-juvenil, mais
sensível aos conselhos médicos e nutricionais. Ultimamente
a cirurgia bariátrica (operação do estômago) vem sendo citada
como forma bem-sucedida de evitar o diabetes, mas é dispendiosa,
tem os seus riscos e nem todos podem ser submetidos a ela.
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Veja
OnLine - 15-10- 2007
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