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Desde
a década de 60, a comunidade médica alerta a população para
o perigo de consumo exagerado de gorduras de origem animal.
Esta gordura – a saturada – é prejudicial ao coração por
favorecer o depósito de colesterol em artérias essenciais,
tais como as coronárias e os vasos da circulação cerebral.
Como alternativa, recomendava-se o consumo de gorduras vegetais,
que ajudam o nosso corpo a manter elevado o HDL-colesterol
(o bom colesterol) enquanto diminui, na circulação, o mau
colesterol (o LDL-colesterol). As gorduras vegetais – insaturadas
– têm propriedades de prevenir o depósito de gordura nas
artérias.
Algumas são monossaturadas, o que significa que são muito
benéficas ao corpo humano (óleo de oliva, canola, amendoim),
mas provavelmente têm menor ação nos níveis de colesterol
do que os óleos chamados poliinsaturados (óleo de milho,
de soja, de girassol).
A conclusão seria óbvia: consumir menos gorduras saturadas
e optar por óleos vegetais mono e poli insaturados.
Seus efeitos danosos
Tudo o que foi explicado acima foi regra no meio médico
e nutricional até o início dos anos 80. Nesta ocasião, verificou-se
que os procedimentos industriais de produção dos óleos vegetais
insaturados eliminam suas qualidades benéficas em relação
ao colesterol.
A vantagem industrial de hidrogenar (adicionar hidrogênio)
o óleo vegetal é garantir um sabor melhor ao alimento. Mas
este processo industrial modifica a estrutura química do
óleo. Em um óleo "bom" natural, os átomos estão distribuídos
em posição espacial "paralela" entre si. Depois do tratamento
industrial de hidrogenação os ácidos graxos têm os átomos
em disposição "diagonal". Daí vem o nome de "gordura trans",
pois os átomos estão situados em alinhamento transversal.
O problema do processo industrial
Primeiro é importante saber que gordura trans não é sintetizada
no organismo humano. É apenas um recurso industrial para
obter melhor paladar no produto final destinado ao consumidor.
A gordura trans é altamente prejudicial ao nosso sistema
de colesterol "bom" e "mau". Isto porque age como uma "super"
gordura saturada (aquela das gorduras animais), elevando
o "mau" colesterol e diminuindo o "bom" colesterol, que
é responsável pela menor deposição de gorduras nas artérias.
Encontrada em vários alimentos
Grande parte dos produtos industrializados que usam gordura
em sua fórmula passou a utilizar a gordura trans. Ela aumenta
a validade do produto e torna o alimento final mais "crocante"
e saboroso. Isto se aplica a todos os salgadinhos industriais
(as batatinhas, pastéis, biscoitinhos, folhados, tortas
e bolos), bem como às margarinas, pipocas de microondas,
a alguns tipos de chocolate e sorvetes, e principalmente
a muito do que se come em cadeias de fast-food.
O alerta dos médicos para o que população estava consumindo
levou a medidas de proteção ao consumidor. O fabricante
hoje deve informar, no rótulo, se o produto final tem gordura
trans em sua fórmula e qual o grau percentual (%) ou em
gramas (g) desta substância por unidade do alimento.
O que o consumidor deve fazer
Estudos realizados nos EUA indicam que o máximo de ingestão
de gordura trans não pode ultrapassar os 20 gramas/dia.
As pessoas que apresentam alto risco de doenças vasculares
(coronárias, artérias cerebrais), como obesos, diabéticos
e aqueles com antecedente familiar de doenças vasculares,
devem evitar o consumo de gordura trans ao máximo (isto
é, menos de 15 gramas por dia). A meu ver é difícil para
o público leigo ler e entender a mensagem nutricional de
um alimento que lhe é apresentado para consumo. Muitas vezes
o fabricante indica que a gordura trans é menos de 0,2 g
por "meio" biscoito, o que é uma armadilha para o consumidor
(ninguém come "meio" biscoito). Outro alerta: não sabemos
o que a gordura trans faz a crianças pré-escolares e escolares.
A regra de ouro é NÃO fornecer, habitualmente, os alimentos
sabidamente portadores de gordura trans a crianças pequenas.
Nada de lancheiras com salgadinhos, biscoitos variados,
batatinhas fritas e congêneres. Aliás, em nosso país (e
muitos outros), já se cogita proibir escolares de consumirem
estes produtos na hora do lanche escolar. É uma sábia recomendação,
a ser seguida e difundida.
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Veja
OnLine - 08-10- 2007
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