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Não
há dúvida que crianças e adolescentes estão mais altos nesta
geração do que em outras anteriores. Boa nutrição, controle
de doenças comuns na infância, melhor qualidade de vida,
significativos avanços nos projetos sanitários, exercícios
e esportes, todos contribuem para que nossos filhos e netos
sejam mais altos. Até as gerações de orientais que emigraram
para o Brasil, de estatura média baixa, constatam que seus
netos são adolescentes atléticos e mais altos que os pais
e avós.
Na época do nascimento, os recém-nascidos de termo (isto
é, gravidez normal) apresentam estatura de 48 a 53 cm. O
crescimento é rápido no primeiro ano (18 a 26 cm) e no segundo
ano a criança já cresce de 10 a 13 cm. Desde os dois anos
até o início da puberdade a velocidade de crescimento é,
mais ou menos, estável, atingindo entre 4 a 6 cm por ano.
Como se dá o estirão de crescimento
Com o início da puberdade tanto as meninas como os meninos
têm o chamado "estirão de crescimento". Para as meninas,
sempre mais precoces, este estirão representa um acréscimo
de 6 a 11 cm na estatura. É aquele período em que os meninos
da mesma idade ficam impressionados pelo fato de serem mais
baixos que as adolescentes, já com características femininas
bem definidas. Mas logo mais os hormônios masculinos são
produzidos e os meninos têm o estirão puberal que os leva
a ter de 7 a 12 cm a mais na altura. Em ambos os sexos o
estirão puberal dura cerca de dois anos, com pico de 12
anos para meninas e de 14 anos para os meninos.
O crescimento não é igual para todos. Os números acima representam
uma média do que ocorre na puberdade. Muitas vezes meninas
começam a desenvolver seios muito cedo, ao redor de 8 anos,
o que chamamos de puberdade prematura. Raramente existe
a puberdade precoce com sinais de ação hormonal feminina
aos 5 e 6 anos. São casos de diagnóstico e tratamento por
médico endocrinologista.
Outras meninas ultrapassam os 12 anos sem sinais de puberdade.
Vão apresentar a menarca (primeira menstruação) muito tarde
(além dos 14 anos). São as meninas que terão estatura mais
elevada. Igualmente os garotos que precocemente desenvolvem
voz grossa, pêlos, início de barba, desenvolvimento genital
muito cedo (entre 10 e 11 anos) poderão ter menor estatura.
Isto porque os hormônios masculinos e femininos "fecham"
as áreas de crescimento dos ossos, fazendo com que o crescimento
termine devido a esta ação hormonal nas cartilagens de crescimento.
O que os pais devem fazer
O mais importante é ter o acompanhamento da curva de crescimento
pelo pediatra. A visita anual ao especialista, que vai aferir
a estatura, verificar sinais de puberdade, notar a velocidade
de crescimento, é muito importante. No caso da puberdade
prematura a consulta ao médico endocrinologista é essencial.
Quanto mais cedo a menina (ou o menino) for levada ao especialista,
maior será a chance de ter uma estatura normal. Muitas vezes
os pais somente se dão conta que o filho(a)) está relativamente
baixo em relação aos colegas, amigos e primos, quando a
puberdade já está avançada. Resta pouca chance de proporcionar
terapêutica adequada, com bons resultados. Quanto mais cedo
os pais prestarem atenção ao problema de crescimento, repito,
maior é a possibilidade de intervenção positiva e excelentes
resultados.
É importante o exame clínico, o histórico familiar, a genética
dos progenitores, doenças presentes e crônicas (bronquite
asmática, doenças renais e hepáticas) enfim, a história
clínico-familiar. Costuma-se também verificar como os ossos
estão se desenvolvendo, através de radiografias dos punhos
(a idade óssea). Verificamos, igualmente, função da tireóide,
exames hormonais, taxas de cálcio, fósforo e enzimas que
estimulam o osso a crescer.
Qual o tratamento adequado
É óbvio que o tratamento para crescimento deve ser individualizado.
Existem medicamentos que retardam a vinda da primeira menstruação
possibilitando maior tempo de crescimento. Existem substâncias
que aumentam a síntese e liberação do hormônio de crescimento
do (a) adolescente. Finalmente o hormônio de crescimento
humano já está disponível para ser aplicado, mas nem todos
os adolescentes com baixa estatura irão se beneficiar deste
tipo de terapêutica.
Conclusão: quanto mais cedo os pais levarem os seus filhos
para avaliar se estão crescendo normalmente, maior a alegria
de vê-los adultos de boa estatura.