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Com
o avanço acelerado da pesquisa genética em seres humanos
e o progressivo conhecimento do genoma humano (conjunto
de genes), verificou-se que várias doenças, ditas metabólicas,
como excesso de colesterol, diabetes, obesidade, doenças
da tireóide são devidas a combinações de genes que induzem
efeitos indesejáveis.
No caso da obesidade é cada vez mais claro que obesos herdam
modificações genéticas que os induzem a ganhar peso, seja
por menor queima de gordura, maior transformação do que
é ingerido em tecido adiposo, menor dispêndio de energia
quando fazem exercício, compulsão por certos alimentos ou
combinação destes efeitos. Fatores que, inexoravelmente,
leva à obesidade.
Desde que se aceite que a genética tem papel fundamental
e importante na origem do excesso corporal, a intervenção
medicamentosa terá efeito benéfico enquanto for usada. Com
a interrupção do uso de medicamento os genes indutores da
obesidade, progressivamente, levam o obeso ao patamar inicial
de peso.
Tradicionalmente a Medicina usa cerca de dez a doze remédios
para induzir perda ponderal. Muitos pacientes não toleram
remédios para emagrecer, outros têm preconceito arraigado
contra medicação. Grande parte ainda julga que pode vencer
a genética sem ajuda do médico, e vários outros apelam para
medicina alternativa, injeções de mesoterapia, recursos
fisioterápicos discutíveis, cintas emagrecedoras e vários
outros engodos.
Alternativas nem sempre são efetivas
A doutora Rosana Radominski, do Paraná, resumiu em publicação
recente as alternativas comumente usadas pelos obesos que
se recusam a usar remédios de farmácia, não pensam em realizar
cirurgias redutoras do estômago e não planejam mudanças
de hábito –alimentação e atividade física. Esses pacientes
preferem a medicação alternativa que, embora pouco eficiente,
tem sido empregada.
cafeína é uma substância química que se encontra nos grãos
de café. Substâncias similares são detectadas no chá preto,
no guaraná, no cacau. Todas são estimulantes do sistema
nervoso central. Mas além disso a cafeína estimula a secreção
de um hormônio chamado adrenalina (que faz o coração bater
mais depressa). A adrenalina é estimulador da "queima" de
gordura. Decorrente deste fato a cafeína (dependendo da
quantidade ingerida) poderia induzir perda de peso pois
leva a maior dispêndio da energia acumulada. Detalhe desanimador:
a cafeína reduz mais peso em magros do que em gordos.
Substâncias tidas como naturais
Outra substância é a efedrina, extraída de planta da Ásia
chamada "ephedra sinica". Outra planta fornece alto similar
chamado fenil-efedrina. Ambas elevam a pressão, produzem
taquicardia e, em conjunto com a cafeína, podem reduzir
o peso. No entanto promovem agitação psíquica, uma vontade
de falar sem parar, movimentos incessantes de mãos e dedos,
insônia. E a perda de peso? É pequena para tanto efeito
colateral.
E a maravilha do chá verde? É uma infusão de uma planta
(camellia sinensis), sem prévia fermentação (o chá preto
é fermentado). Parece que ajuda na queima do tecido adiposo
e, parcialmente, dificulta a síntese de gorduras. Os chineses
demonstraram que o chá verde diminui a insulina elevada,
modula o apetite, controla o açúcar do sangue e "cura" diabéticos.
Portanto, teremos, em futuro próximo, grande ofensiva publicitária,
para que os obesos e os diabéticos passem a consumir litros
e litros de chá verde, mas a perda de peso desejada não
virá apenas com xícaras de chá quente.
Existe, também, no mercado, a quitosana, tida como um inibidor
da absorção de gordura ao nível do intestino. Ou seja: coma
a feijoada, tome quitosana, e a gordura passa direto, sem
ser absorvida. Total engano: estudos bem conduzidos com
esta substância extraída de crustáceos, não comprovaram
a saída de gordura nas fezes.
É mais uma questão de fé do que de eficácia
E o crômio? Nas academias o picolinato de crômio é vendido
às toneladas para aumentar o gasto energético, elevar serotonina
cerebral e estimular a síntese de proteínas. Nada disso
foi comprovado em estudos clínicos.
As fibras sintéticas (tipo Goma guar) ou naturais (Psillium)
estimulam a motilidade intestinal, absorvem parte do colesterol
ingerido, e teriam o efeito salutar na saciedade. Prometem
perda de peso sustentável, mas podem dar diarréia, inibir
absorção de vitaminas importantes como Vitamina A e D, e
interferem também na absorção de vários remédios.
Algumas das substâncias referidas teriam um pequeno efeito
salutar na tentativa de perder peso. Mas, neste mercado
alternativo, existem mais promessas fantasiosas do que realidades
palpáveis. Isto sem falar de possíveis efeitos colaterais.
Controle sua dieta, caminhe bastante, faça outros exercícios.
Só use os "produtos alternativos" se tiver muita fé no seu
efeito milagroso. .