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A associação
entre o processo de envelhecimento e o declínio da atividade
sexual sempre foi reconhecida por médicos e leigos. A idéia
levou, e leva até hoje, muitos homens a buscar substâncias
ditas "afrodisíacas", que se propõem, de forma enganosa,
a aumentar a libido. Já se provou de tudo nesse terreno:
ginseng, yoimbina, erva de São João, pimentas variadas,
ouriço do mar, ostras e até chifre de rinoceronte, que quase
causou a extinção do pobre animal em algumas regiões do
planeta.
Um raio de esperança passou pelos idosos quando um famoso
médico francês, Brown-Sequart, afirmou na Academia Francesa,
no final do século XIX, que tinha se tornado um atleta sexual
graças a injeções de extratos de testículos bovinos, além
de ter mais força muscular, excelente energia, e maravilhosa
disposição para trabalho. Um engano! O extrato dos testículos
bovinos nada tinha de substâncias hormonais masculinas.
Os efeitos maravilhosos mencionados era produto da imaginação
fértil do cientista idoso.
Em 1935, três pesquisadores ganharam o Prêmio Nobel de Medicina
por sintetizarem o hormônio masculino que recebeu o nome
de testosterona. Desde então o "climatério masculino" ou
andropausa foi, indiscriminadamente, tratado com este hormônio
até que se observaram efeitos danosos no fígado (hepatite
tóxica) e na próstata (aumento exagerado prostático, câncer
de próstata) além de outros efeitos colaterais. Com o melhor
conhecimento da fisiologia masculina (no idoso) tornou-se
possível lançar novos conceitos. Hoje se fala em Distúrbio
Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou Deficiência
Testicular de Início Tardio (DTIT) com o objetivo de mostrar
maior clareza e precisão no diagnóstico.
Testosterona total e testosterona livre
Primeiro temos que definir o que seria a falta relativa
de hormônio masculino. Os exames de análises clínicas nos
permitem dosar o nível de testosterona circulante. No caso
de estar abaixo de 280ng/dL aceita-se a idéia de que a "fábrica"
de testosterona estaria falhando, mas o problema não é tão
simples assim. Sabemos que a testosterona lançada na circulação
é transportada por uma proteína chamada SHBG, que libera
o hormônio masculino em várias partes do corpo, como no
cérebro (libido, indução de atitude e comportamento másculo),
na barba e no couro cabeludo (os homens têm mais calvície,
são barbudos), junto às partes genitais (estimula áreas
erógenas e a sexualidade) e na musculatura (basta olhar
a exagerada massa de músculos em profissionais de levantamento
de peso). Muito, recentemente, descobriu-se que se pode
calcular a testosterona livre, isto é, aquela recentemente
liberada do SHBG. Essa testosterona livre seria nosso novo
paradigma para afirmar a normalidade do hormônio masculino.
Diminuição prolongada deste hormônio livre define o conceito
de "deficiência androgênica do envelhecimento masculino".
O fenômeno da andropausa
É óbvio que, à medida que o homem ultrapassa a marca dos
65 anos a aumenta deficiência de hormônio masculino. Três
estudos populacionais realizados com idosos indicaram que
34 a 70% dos participantes apresentavam queda da testosterona
total e livre. Apenas metade dos idosos apresentava ou se
queixava de sintomas tais como queda da energia, perda de
musculatura, diminuição da libido, menor atividade sexual
e fadiga crônica. Esses estudos mostraram que nem sempre
as dosagens hormonais são coincidentes com sintomatologia
apresentadas pelos pacientes. Vários idosos, com dosagens
relativamente baixas sentiam-se ótimos com todas suas atividades
em dia, inclusive as sexuais e, mesmo, com índice de fertilidade
(produção de sêmen) adequado.
Tratamento da andropausa
Com esta ampla diversidade na sintomatologia decorrente
de níveis baixos de testosterona, a terapêutica da andropausa
somente será instituída depois de rigoroso critério clínico.
Vários tipos e modalidades de introdução de testosterona
estão à disposição do endocrinologista (ou do urologista).
Pode-se receitar gel de testosterona a ser aplicado sobre
a pele, assegurando nível mais elevado e constante de hormônio.
Existem, também, adesivos contendo testosterona, que são
colocados sobre a pele (inconvenientes: podem dar irritação
local e são visíveis). Injeções de testosterona são de baixo
custo, mas elevam bruscamente níveis plasmáticos do hormônio
com gradativa queda em 2-3 semanas. É importante salientar
que este tipo de reposição hormonal somente poderá ser instituído
por médico familiarizado com o problema e o paciente deve
ser alertado para eventuais efeitos colaterais. A Andropausa
existe, é freqüente, causa sintomas e sinais e pode ser
tratada para obter-se melhora da qualidade de vida do idoso.