 |
No
homem primitivo a possibilidade de alimento era errática
e ocasional. Banquetes e festança, após uma caça bem-sucedida,
alternavam-se com longos períodos de escassez e fome. É
possível que esta irregularidade entre abundância e ausência
tenha estabelecido, em nosso Sistema Nervoso Central, um
mecanismo de síntese de produtos químicos chamados de neurotransmissores.
Esses ‘transmissores’ estimulam de um lado a FOME e do outro
a SACIEDADE. Nos dias de hoje sabemos que a maioria dos
neurotransmissores estimula a "vontade comer" e a minoria
induz a rejeição da comida.
Vamos entender como funciona todo o processo. Quando pensamos
no alimento que nos agrada, o apetite se aguça. A famosa
"vontade de comer" é decorrente da visão diante de um prato
apetitoso ou do perfume do chocolate. Esses fatores excitam
as glândulas salivares, o estômago se contrai e "ronca"
nos induzindo a procurar pela "comidinha", muitas vezes
fora de hora. Esses processos do organismo, em resposta
aos estímulos dos sentidos, são naturais e originalmente
concorrem para que o ser humano sobreviva, levando-o a alimentar-se.
Os sinais do estômago para o cérebro
Cada vez que o estômago permanece sem o alimento por 3 ou
4 horas, a parede gástrica secreta uma curta proteína (alguns
aminoácidos reunidos, ou seja um peptídeo) chamada Ghrelina.
Além de estimular a secreção de hormônio de crescimento
a Ghrelina vai direto ao cérebro e avisa: "Oi, pessoal!
Estamos há mais de 4 horas sem comida lá no estômago e vocês
precisam avisar o computador central para ligar a fome".
No caso daquele empresário típico que toma um cafezinho
pela manhã, não almoça por falta de tempo, e só volta a
ingerir algo no jantar, o nível plasmático de Ghrelina pode
chegar a um patamar estratosférico.
A conseqüência de ficar tantas horas sem colocar algo no
estômago, como no caso do empresário citado, é gordura certa.
Tudo que ele comer no jantar (e muito provavelmente vai
exagerar porque estará morto de fome) irá parar no depósito
de gordura. E depois ele vai reclamar: "Não sei porque engordo!
Não como nada o dia inteiro e não perco peso!". A Ghrelina
é um indutor de fome. É melhor respeitar os avisos que ela
nos fornece. Mas o ideal mesmo é organizar, com esmero e
pontualidade, as refeições do dia para que, com o estômago
cheio, não haja produção deste importante peptídeo acima
do limite tolerável.
Logo após o início da digestão no estômago, o alimento já
semi-digerido passa para o duodeno (intestino delgado) onde
será processado, digerido e absorvido. Tanto nesta parte
do tubo digestivo como no cólon (intestino grosso) existem
grupos de células, denominadas células L, que são sensíveis
aos alimentos protéicos e gordurosos (mas poucos respondem
aos açúcares e carboidratos). Quando o alimento passa por
estas células L ocorre o estímulo para que ela produzam
dois peptídeos: PYY e GLP-1.
Estas siglas indicam substâncias que informam o cérebro
sobre a saciedade, a suficiência do alimento já ingerido.
E como se dissessem: "Por favor, mandem parar de comer!
Já estamos aqui em baixo com muita comida e muito trabalho!"
A mensagem intestinal é uma das armas poderosas que o nosso
corpo utiliza para manter o peso. Comer depressa demais,
mastigar mal, dar garfadas e mais garfadas, sem tirar os
olhos e o rosto do prato é totalmente desastroso pois não
proporciona o tempo necessário para que ocorra a produção
de PYY e GLP-1.
O contrário é uma excelente dica para manter-se em forma.
Experimente comer devagar, mastigar várias vezes o alimento,
conversar descontraidamente com outras pessoas à mesa. Dê
tempo para que seu organismo produza os peptídeos da saciedade.
E você não terá de comer além da conta.