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A tireóide,
pequena glândula situada na região anterior do pescoço,
produz dois hormônios principais, a Tiroxina (chamada de
T4) e a tri-iodo-T (denominada T3). Ela está sob controle
permanente da nossa glândula mestra, a hipófise, que a mantém
estimulada a trabalhar, produzindo o hormônio chamado TSH.
A tireóide, na fase adulta do ser humano, exerce papel fundamental
no gasto energético, isto é, a "queima" de nutrientes, principalmente
gordura, para gerar calor. O interesse maior da comunidade
leiga se focaliza neste ponto. Muitos acham: "Sou gordo(a)
porque minha tireóide não funciona", ou "Meu irmão come
de tudo e não engorda enquanto eu, que sofro da tireóide,
não paro de ganhar peso". É óbvio que se a sua tireóide
parar completamente de funcionar você ganha peso, pois o
seu metabolismo decresce dramaticamente. Tal fato ocorre,
por exemplo, quando se opera a tireóide e toda glândula
é retirada. O paciente ganha peso, fica inchado, acumula
liquido, sente muito frio e apresenta vários sintomas, inclusive
depressão.
No contexto da vida diária o mais freqüente é o fato da
tireóide, parcialmente, deixar de funcionar, tendo sua eficiência
no gasto energético diminuída. De longe, a causa mais comum
é a chamada inflamação crônica da tireóide, a Tireoidite
Crônica ou Doença de Hashimoto (nome do cientista japonês
que a descreveu, por volta de 1909). Com exames mais aperfeiçoados
e mais eficientes, hoje em dia, essa doença é mais facilmente
diagnosticada, o que leva à impressão de que sua incidência
está aumentando.
O que é a Tireoidite Crônica?
A Tireoidite de Hashimoto ou Tireoidite Crônica é doença
decorrente de um "erro" do sistema imunitário. Este sistema
imunitário é o que "fabrica" anticorpos defensivos contra
bactérias, vírus e agentes patogênicos. Por outro lado,
o sistema imunitário recusa a entrada, em nosso corpo, de
tecidos e órgãos estranhos (provindos de outras pessoas).
Este fenômeno se chama de rejeição do tecido ou órgão estranho.
Muito bem, o que isto tem a ver com a Tireoidite Crônica?
Bem, por influência de genes herdados do pai e da mãe, algumas
pessoas têm maior propensão a produzir anticorpos contra
tecidos e órgãos próprios, isto é, do seu próprio organismo.
Isso é chamado de auto-agressão.
No caso da Tireoidite Crônica o sistema imunitário comete
um engano e passa a produzir anticorpos contra a própria
tireóide. Esses anticorpos "rejeitam" a tireóide produzindo,
inicialmente, uma inflamação crônica. Decorridos meses e
anos a glândula deixa de produzir hormônios (T3 e T4) e
ocorre a falta de hormônios da tireóide.
As conseqüências da falta de tireóide
Com a queda do gasto energético, com o metabolismo mais
baixo, existe a possibilidade de constante e progressivo
ganho de peso. Na área cutânea, ocorre a queda de cabelos,
as unhas tornam-se fracas, a pele é seca e descamativa.
Na área emocional é comum a depressão, a letargia, a falta
de "pique", a fadiga crônica.
Muitas pessoas não se dão conta do que está ocorrendo porque
a instalação da falta de tireóide é lenta levando meses
e até anos para se instalar. Recentes estudos em nosso meio
indicam que cerca de 15% das mulheres e 7% dos homens (acima
de 40 anos) podem apresentam Tireoidite Crônica. O tratamento
é simples e basta um comprimido por dia para que os sintomas,
progressivamente, desapareçam. O importante é fazer o diagnóstico
correto, procurando o médico, principalmente as pessoas
que já têm parentes próximos com doenças da tireóide.