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Não
se passa um mês sem que as revistas, tanto as que lidam
com beleza e moda, como as que informam sobre boa forma
física, publiquem um texto sobre DIETA. É um assunto inesgotável,
conversa de todos os dias. "Você ouviu falar da dieta milagrosa
do chá verde?" O tema faz parte das fofocas dos cabeleireiros,
dos salões de beleza e dos intermináveis telefonemas entre
as amigas. "A Verinha perdeu 5 quilos com a nova dieta de
soja transgênica – sem fazer força nenhuma".
Além desta enorme corrente de informações trocadas entre
as mulheres existem ainda os livros de dietas. Maravilha,
perde-se algumas gramas só na antecipação de folheá-los
na livraria, mesmo antes de verificar se eles valem a pena.
Os títulos são sugestivos: Dieta do Dr. Jenkins, da Praia
do Sul, a que promete que "só é gordo quem quer", a que
insinua que a dieta é só contar pontos, a dos tipos sanguíneos,
a que segue fases da lua, a exclusivista (só comer maçãs
por 7 dias) e por aí vai. Um rápido levantamento na internet
indica que existem 1.786 títulos de livros de dieta somente
nos Estados Unidos (boa parte traduzida para o português).
O mercado para os livros de dieta
As estatísticas informam que 45% das mulheres e 30% dos
homens, nos Estados Unidos, tentam perder peso. Portanto
o mercado para este tipo de livros é totalmente comprador.
Nada de coisas banais como "bife e salada". O público gosta,
mesmo, de algo mais sofisticado com um toque oriental, ou
algo místico, com exclusão total de um ingrediente nutricional,
com muita gordura, sem carboidratos, com muita proteína,
com detalhes técnicos como "chá verde, após a refeição,
acaba com as calorias que você comeu".
Nesta complexa montanha literária e pseudocientífica o público
leigo se confunde. Os livros de dieta passam de moda, pois
o novíssimo método dietético é o que mais dá resultado,
é a novidade. Infelizmente quase sempre o fator novo, o
milagroso efeito emagrecedor, é de duração efêmera.
Alguns fundamentos têm argumentação científica
A famosa dieta do Dr. Atkins (publicada inicialmente em
1973 e depois em 1992), que libera as gorduras e proíbe
ferozmente todos carboidratos, vendeu mais de 10 milhões
de cópias. Todavia nunca foi testada cientificamente, isto
é, nunca se comparou dois grupos de pessoas obesas, sendo
um submetida à Dieta Atkins e outro grupo, chamado controle,
a uma dieta hipocalórica, balanceada. A idéia de remover
os açúcares, as farinhas, as batatas e os doces no sentido
de induzir perda de peso é antiga. Vários livros de dieta
adotaram esta modalidade de regime, com aparente sucesso
junto ao público. Faltava uma comprovação científica de
que "dietas pobres em carboidratos" eram realmente úteis
na orientação nutricional dos que querem perder peso.
Os cientistas decidiram testar dois grupos de obesos comparando,
por um ano, a perda de peso com uma dieta convencional (hipocalórica,
níveis elevados de carboidrato, gordura e proteína) e com
uma dieta com baixo teor de carboidrato, muita proteína
e teor normal de gordura. Notaram que as pessoas com excesso
de peso na dieta pobre em carboidratos perderam mais peso
aos 3, 6 e 9 meses de dieta comparativamente àqueles que
estavam na dieta convencional. No entanto após 12 meses,
os dois grupos de obesos apresentavam perda de peso semelhante,
isto é, decorrido um ano não havia diferença entre comer
pouco carboidrato ou seguir uma dieta balanceada.
A decisão é pela rapidez no resultado
É óbvio que todos que se propõem a perder peso querem ver
resultados rápidos. Neste sentido a dieta pobre em carboidratos
mostrou-se mais eficiente. A longo prazo (12 meses) o estudo
mostra que dietas convencionais atingem o mesmo resultado.
Mas quem quer esperar 12 meses para ter um resultado quando
a sua melhor amiga vem perdendo peso mais eficientemente
em apenas 6 meses? Você é quem decide, desde que lhe seja
dada a opção pela famosa "dieta das proteínas" e exclusão
dos abomináveis carboidratos. Boa sorte!