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Recente
estudo pediátrico realizado na Grã-Bretanha revelou que
em um ano 206 meninas pré-adolescentes (até 12 anos) relataram
aos médicos que tinham sérios problemas de alimentação com
"virtual pavor" de engordarem. Elas usavam métodos conhecidos
da disfunção chamada bulimia, ou seja, abuso no uso de laxativos,
provocavam vômitos após refeições e evitavam alimentar-se
em público. E o mais incrível: entre o grupo de meninas
havia uma criança de apenas 6 anos! A bulimia, tão discutida
e temida atualmente, faz parte do grupo de "moléstias da
nutrição" e causa sérios distúrbios na saúde da adolescente,
no seu relacionamento com a família e no ambiente escolar,
podendo até levá-la à morte. Todos nós já tivemos ocasião
de saber pelo noticiário de jornais e emissoras de TV casos
decorrentes da ditadura instalada pelo universo da moda.
Um universo capaz de convencer meninas de que "magreza nunca
é demais".
Prevalência dos distúrbios da alimentação
preocupação com o peso e a aparência chega cada vez mais
cedo às adolescentes de hoje. Estatísticas indicam que de
40% a 60% das garotas de 2° grau na Austrália fazem algum
tipo de "dieta" para perder peso. O mesmo número porcentual
surge em inquéritos nutricionais realizados nos Estados
Unidos, onde 55% das meninas declararam que estavam em dieta
para perder peso e tinham muito medo de engordar. Estes
números refletem o fato de que o modelo feminino de beleza
é representado na mídia pela magreza excessiva. É um padrão
tão implacavelmente imposto que nunca se ouviu falar tanto
em doenças de distúrbios alimentares como agora.
A bulimia já é considerada um problema de saúde pública
em sociedades de países desenvolvidos. Pesquisas recentes
informam que cerca de 3 a 4, em cada grupo de 1.000 adolescentes,
sofram da doença nesses países. A anorexia nervosa é a terceira
perturbação mais comum entre adolescentes. Há pelo menos
de 10 a 12 meninas com a doença em cada grupo de 1.000.
Uma razão química para a Anorexia Nervosa
O tubo digestivo está em constante ‘diálogo’ com o cérebro.
Assim que o alimento chega ao estômago a parede estomacal
manda uma mensagem ao cérebro dizendo: "Pare, já temos alimento
aqui para digerir". Simultaneamente o intestino ao receber
o alimento (pré-digerido no estômago) manda substâncias
químicas (PYY, GLP-1) aos centros cerebrais induzindo a
saciedade. Verificou-se, muito recentemente, que as meninas
com anorexia nervosa têm exagerada produção destas substâncias
que induzem saciedade e portanto perdem a fome e o interesse
na comida.
Fenômenos sócio-culturais estão na base de tudo
Em vez de se falar em distúrbios nutricionais, talvez possamos
dizer que estamos lidando com problemas de dietas absurdas,
nas quais as adolescentes, as jovens e até mulheres maduras
buscam, a qualquer preço, chegar a um tipo de figura feminina
extremamente magra, com corpo perfeito, medidas ideais,
sem nenhum defeito cutâneo ou subcutâneo (como a famosa
celulite). Não é só um problema para médicos resolverem,
é uma questão da sociedade em geral. Toda essa busca pela
perfeição da aparência não pode ser isolada de aspectos
emocionais que surgem de uma idéia fantasiosa em relação
ao corpo que cada pessoa deve ter. Os psiquiatras afirmam
que estes tipos de doenças são, basicamente, distúrbios
afetivos nos quais a depressão também tem papel importante.
O risco médico da Anorexia Nervosa
A anorexia nervosa é uma condição clínica muito séria, com
efeitos danosos na saúde e com risco de mortalidade que
pode atingir 20% das pacientes em 10 anos (inanição, arritmias
cardíacas, falta de potássio, excessiva acidez da circulação,
suicídio). Por outro lado, os resultados de tratamento médico
com vários esquemas terapêuticos, a que se associa a psicoterapia,
indicam que cerca de 40% a 60% dos pacientes podem vir a
atingir peso normal. A obsessão por dieta, todavia, é difícil
de eliminar, persistindo em 67% das pacientes. Quanto mais
longo for o tempo de instalação da doença, mais difícil
é a recuperação integral da paciente.
É preciso, portanto, que os pais estejam atentos às meninas
que tenham aquele medo obsessivo de "engordar", evitando
alimentar-se junto à família, mostrando ansiedade, insônia
e sintomas de depressão. Todos são sinais da fase inicial
de anorexia nervosa. Procurem um médico, apelem para auxílio
psiquiátrico, verifiquem a necessidade de auxílio medicamentoso
o mais cedo possível, porque quanto mais precoce for a intervenção
melhor o prognóstico para retornar a normalidade. .