 |
O sistema
de produção de hormônios do corpo humano obedece um aspecto
cronológico bem estabelecido em relação aos anos de vida
de uma pessoa. A tireóide e a hipófise já começam a trabalhar
na vida fetal. Os hormônios sexuais (testosterona para o
sexo masculino e estradiol para o feminino) têm importante
papel na indução dos órgãos genitais de homens e mulheres.
As glândulas supra-renais também são ativadas já no recém-nascido,
proporcionando controle do metabolismo dos sais e água.
A hipófise e sua grande importância
A hipófise secreta, entre outros, o hormônio do crescimento,
conhecido também por sua sigla em inglês, como GH (growth
hormone). A produção do GH ocorre principalmente durante
a infância e a juventude, sempre com maior ênfase durante
a noite, quando as crianças estão dormindo (secreção em
surtos ou picos noturnos). O hormônio de crescimento cumpre
exatamente o seu papel – ele faz crescer os ossos e aumenta
a estatura da pessoa. É, também, um hormônio anabólico,
ou seja, distribui a gordura acumulada, forma mais músculo,
e possivelmente eleva a performance física de um atleta.
Com o passar da idade a secreção desse hormônio vai diminuindo
gradativamente a cada década após os 20 anos. Portanto um
indivíduo de 50 ou 60 anos tem secreção de GH baixa.
O uso do hormônio de crescimento por atletas
O GH também é muito usado entre alguns atletas para obter
maior desempenho físico. Nesses casos, considerando-se que
o crescimento ósseo da pessoa já esteja completo, o uso
de hormônio provocará o crescimento de extremidades - as
mãos (os anéis ficam apertados, os dedos engrossam), os
pés (os sapatos passam a ficar apertados), a face (a mandíbula
se alonga, o nariz aumenta, os supercílios tornam-se grossos).
O nome a que se dá a tantas e variáveis alterações é um
aspecto acromegalóide (acros = extremidade, mega = grande).
O atleta sob efeito das altas doses de hormônio poderá apresentar
mãos enormes e pés avantajados, o que lhe dará nítida vantagem
em esportes como natação competitiva, luta livre, boxe e
outras modalidades.
A tentação de ter o desempenho garantido
Uma pesquisa clássica, muito citada no meio médico, revela
que mais de 50% dos atletas de elite concordariam em usar
hormônio(s) que pudessem elevar sua capacidade atlética.
Eles diriam SIM aos hormônios desde que tivessem garantia
de que a chance de ganhar competições fosse real (nos próximos
5 anos) e que não seriam apanhados pelos testes antidoping
das Olimpíadas ou outros eventos esportivos.
Estudos recentes indicam que 3,5% dos atletas americanos
usaram hormônio de crescimento em doses elevadas de 3 a
8 mg diariamente por várias semanas, meses antes de eventos
esportivos internacionais. Suspeita-se que em outros países
este porcentual possa ser ainda mais elevado devido à falta
de informações. Mais ainda: cerca de 25% de atletas que
usaram substâncias anabólicas (geralmente hormônios tipo
masculino ou androgênicos) também usaram, concomitantemente,
10 mg intramuscular de GH diariamente, o que é uma superdose
de GH.
O controle está cada vez mais sofisticado
Quando o atleta usa o hormônio de crescimento, sua glândula
hipófise deixa de fazer o GH interno e este fato pode ser
detectado por exame. A mensuração do GH interno (produzidas
pela hipófise do atleta) foi implementada nas Olimpíadas
de 2004. Como geralmente o atleta faz uso de GH muito antes
da competição, a melhor forma de verificar é dosar uma substância
produzida pelo fígado sob ação direta do GH- essa substância
é a IGF-1. Se o IGF-1 estiver muito elevado na circulação:
o atleta usou GH ilicitamente. Outra forma é medida de produtos
do metabolismo do colágeno os quais são marcadores do uso
de GH, isto é, surgem no sangue valores elevados de produtos
metabólicos do colágeno. Novos testes estão sendo aperfeiçoados
para indicar o uso abusivo de GH tais como expressão de
genes que normalmente não estão ativos sem a presença de
GH elevado. Este teste é excelente pois nos informa se o
atleta em alguma época de sua vida usou hormônio de crescimento.
Como sempre, o crime não compensa
O crime de usar abusivamente hormônios para melhorar o desempenho
atlético não compensa. Não só porque hoje técnicos e médicos
possuem formas eficientes de detectar o uso, mas principalmente
porque, além de ilícito, o GH traz sérias conseqüência à
saúde do atleta, como aumento do volume do coração, pressão
alta, manifestações articulares e possibilidade de indução
de câncer no sistema digestivo. Não compensa mesmo!!!