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Muita
gente chega a meu consultório preocupada com os nódulos
da tireóide. O que poucos sabem, porém, é que esses nódulos
são relativamente comuns e podem ser detectados em cerca
de 3% da população, seja pelo auto exame do paciente (olhando
o pescoço no espelho) ou pelo exame médico. Se utilizarmos
rotineiramente o exame ultra-sonográfico, vamos encontrar
nódulos em 30% dos indivíduos com mais de 45 anos. Ou seja,
eles são bem mais freqüentes do que a maioria imagina. O
problema maior é saber se o nódulo é benigno ou maligno
(câncer de tireóide).
Investigação de familiares é fundamental
O primeiro passo, portanto, é investigar os antecedentes
familiares do paciente, com um aprofundado questionamento
sobre casos de câncer de tireóide na família. A pesquisa
deve incluir os avós, tios e tias, irmãos, pai e mãe, pois
muito dos casos de nódulos malignos são de origem familiar.
Depois o médico deve fazer um exame físico para verificar
se o nódulo é firme, duro, se cresceu rapidamente e se existem
gânglios ("pequenos caroços no pescoço"). E finalmente,
indicar a ultra-sonografia - o melhor exame para "ver" o
nódulo. Na ultra-sonografia é possível verificar se o nódulo
tem liqüido (nódulo cístico), se é sólido, se ele apresenta
calcificações. Examina-se ainda o contorno do nódulo e identificam-se
gânglios. O ultra-sonografista pode sugerir (mas não comprovar)
se o nódulo é benigno ou maligno.
O "teste de ouro" é uma etapa decisiva
Passadas todas essas etapas, o teste final, ou "teste de
ouro", como se diz no jargão médico, é a punção aspirativa
do nódulo. Todo mundo se arrepia de medo e angústia quando
imagina enfiar uma agulha no pescoço. Mas vamos pensar juntos:
a pele do pescoço tem pouca enervação (pouca sensibilidade)
e a introdução de agulha fina, siliconizada, não irá provocar
grande dor ou desconforto. Além disso, o profissional irá
acompanhar por meio de ultra-sonografia o caminho da agulha
até a entrada no nódulo. Em seguida aspira as células do
nódulo e as examina no microscópio.
80% dos nódulos são benignos
Nos melhores centros médicos, 90% da punção aspirativa retira
células suficientes para o exame; nos 10% restantes nova
punção poder ser necessária. A chance de o nódulo ser benigno
é enorme (mais de 80%), mas, como medicina não é uma ciência
exata, muitas vezes o profissional não consegue um diagnóstico
totalmente preciso. A conclusão pode ser: indeterminada.
Nesses casos, o paciente deve considerar a possibilidade
de outros testes com o material colhido da punção (tais
como pesquisa de outros elementos que separam benignos de
malignos). Pode-se recorrer também a fixação de certos compostos
radioativos que se "grudam" nos malignos, mas não nos benignos.
Existem outros métodos de imagem que ainda confirmam benignidade
(o exame chamado PET). Enfim a coordenação entre o seu médico,
o especialista em ultra-sonografia e o citologista irá resolver
o caso em cerca de 80% das vezes.
As situações indicadas para cirurgia
Para nódulos com mais de 2cm, dependendo da idade e sexo
masculino/feminino, é possível que a melhor indicação seja
a cirurgia. Freqüentemente o cirurgião manda examinar o
nódulo durante a operação e, no caso de ser benigno, apenas
retira parte da glândula. Nesse caso, não há nenhum prejuízo
para o paciente, porque a outra metade continua produzindo
hormônios em nível adequado e suficiente.
Minha recomendação aos que têm algum tipo de preocupação
em relação a esse problema é ser otimista. A maioria dos
nódulos na tireóide é do tipo benigno e os médicos conseguem
chegar a um diagnóstico sem necessidade de operar.