Por que estamos cada vez mais gordos?

Estudos prospectivos mostram que, além da prevalência da obesidade aumentar em todos os lugares, em 2025 o Brasil será o quinto país do mundo a apresentar grandes problemas de excesso de peso em sua população.

"A etiologia da obesidade não é de fácil identificação. Essa é uma doença multifatorial, que conta com fatores genéticos, psicológicos, metabólicos e ambientais", aponta o artigo "O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade", escrito por Carla Eduarda Romero e Angelina Zanesco, pesquisadoras do Instituto de Biociência da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A obesidade pode ser classificada em três determinantes principais por forte influência genética por fatores endócrinos e metabólicos ou por interação de fatores externos, sejam eles de origem dietética, comportamental ou ambiental.

"Acredita-se que os fatores externos seriam mais relevantes na incidência de obesidade do que os fatores genéticos" sugerem as pesquisadoras. O estudo mostra que os adipócitos são capazes de sintetizar vários hormônios, substâncias de ação metabólica e neuro moduladores. Diferentemente do que se supunha anteriormente, os adipócitos não são apenas um sítio de armazenamento de gordura, mas interagem com o sistema nervoso central e o tubo digestivo.

"Dentre as diversas substâncias sintetizadas pelo adipócito destacam-se a adiponectina e a leptina", afirmam. A leptina é um peptídeo que desempenha importante papel na regulação da ingestão alimentar e no gasto energético, gerando um aumento na queima de energia e diminuindo a ingestão alimentar.
"Os achados sobre a descoberta da leptina, produzida pelo adipócito, e da grelina, produzida pelo estômago, abrem novos campos de estudo para o controle da obesidade, principalmente nas áreas de nutrição e metabolismo".


Referência: Revista de Nutrição volume 29, número 1, janeiro de 2006.